[ab | new york] we're all in the same boat

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Mensagem por Chiara Lowe Vandewaart em Ter Set 04, 2018 7:51 pm

start by kicking off your shoes

A presente RP narra o encontro de uma equipe médica após uma longa noite de plantões oferecidos em diversas áreas, longe do ambiente de serviço. É dia, pouco depois das oito da manhã e o clima está incrivelmente agradável, por volta dos vinte e dois graus. Os médicos plantionistas receberam dois dias de folga e resolveram embarcar numa viagem para uma casa compartilhada em Coney Island, onde poderiam aproveitar os festivais noturnos e a praia no diurno.


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Re: [ab | new york] we're all in the same boat

Mensagem por Chiara Lowe Vandewaart em Ter Set 04, 2018 9:17 pm


No there ain't nothin' wrong when a song comes on

A ponta fina da caneta elegante em tonalidade prateada rabiscava o prontuário final do paciente que há poucas horas tinha acabado de despachar da sala de operações quatro, a utilizada para tratar do caso. Robert Dawson, cinquenta e seis anos, trauma situado na região inferior. Havia se submetido a um processo estrangeiro para alongamento de membros, passando por um método de tortura medieval que alguns praticantes da ortopedia insistiam em exercer. Os residentes haviam se agitado com a possibilidade de múltiplas perdas relacionadas aos movimentos, contato direto com músculos que poderiam causar paralisia se manejados de maneira inadequada e várias outras eventualidades que tratou de evitar.

Sua equipe era composta por um quadro de internos responsáveis e muito práticos. — Acompanhe o sr. Dawson por quarenta e oito horas em intervalos de vinte e vinte e cinco minutos. Ele irá sentir muita dor, intercale as doses de morfina, no máximo duas por dia. A quantidade da dosagem está na ficha presa na maca, horários e medicações que ele precisa tomar também. Não esqueça de rever as feridas e procurar por qualquer indício de putrefação na carne sempre que checar o paciente. — Informou a Sierra, sua interna mais apta a cuidar do usuário. O sotaque britânico era um diferencial ainda em processo de digestão em todo o hospital, tendo o corpo de profissionais tentando entender como alguém tão jovem como Chiara possuía tanta capacidade para atuar ainda em sua residência numa área que deveria estar sendo chefiada por algum médico local.

A garota prodígio havia sido transferida de um dos hospitais mais consagrados por qualificação de Londres, nas posses de seu avô. Diariamente cessava a possibilidade de lhe destinarem a imagem de vinculada ao serviço público por privilégio familiar, mostrando os dotes quase perfeitos em seu exercício medicinal. — Nos próximos três dias estarei fora do alcance de toda a equipe de internos. Estão notificados. — Apertou o botão no topo da caneta e delegou o seu último ofício antes de, finalmente, ter o seu momento de folga.

[...]

A casa em Coney Island era muito mais sofisticada do que poderia imaginar. O valor de setecentos dólares coletado de cada residente que havia concordado em participar da viagem havia servido para um propósito de abrigar os viajantes num cômodo confortável que pudesse atender as necessidades primordiais denotadas como ordem máxima: relaxar e se divertir, tirando a mente do trabalho por um par de horas. A viagem até lá fora curta, nada mais que uma hora e poucos minutos no trânsito matinal, marcando de se encontrar com o melhor amigo na residência. Cada um iria em seu veículo próprio, ao que parecia. Quando chegou, trocou abraços e cumprimentos com os que já haviam se acomodado, recebendo a chave de um dos quartos. Todos possuíam a mesma dimensão e móveis depostos no espaço. — A festa vai começar agora? — Perguntou após estacionar o carro e puxar a mala para a casa. Shelby, a cardiologista, estava próxima de Mandy, a chefe da obstetrícia. Ambas assentiram animadamente, apontando para onde um dos outros residentes ligava o som num volume estridente para fazer explodir das caixas música eletrônica. Um sorriso se comportou nos lábios da médica, que subiu para seu quarto.

Tomaria um bom banho para desfazer-se do restante do cansaço e se unir aos participantes da festa. Merecia qualquer tipo de aproveitamento, e pelo que ficara sabendo, a abertura daquele encontro se daria pelo encontro de todos os médicos na área da piscina, onde uma festa se iniciaria pouco depois da chegada - onde tudo já estaria arquitetado pela dupla organizadora da viagem que chegara um dia antes de todo o restante - e duraria pelo restante do dia, tendo um findar somente na data seguinte a da chegada de todos os outros. — Ótimo. — Sussurrou, umedecendo os lábios com a ponta da língua. Era uma ótima profissional, mas também tinha méritos no quesito quantos-shots-é-possível-virar.  




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Re: [ab | new york] we're all in the same boat

Mensagem por Derek G. Lesher em Ter Set 04, 2018 10:34 pm


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◣◥ ◤◢ ◣◥ ◤◢
Havia finalmente finalizado seu turno e estava sentado na área de alimentação do hospital, estava praticamente sem muita animação para a tal viagem por ter terminado com seu agora ex-namorado Theo. Chiara havia dado dicas sobre a péssima pessoa que ele era, mas nunca quis ouvir e por isso agora estava daquele jeito que todos ficavam após um término. Mal. Bebia uma xícara de café forte enquanto mexia no seu smartphone com certo tédio de tudo que estava sentindo e ao final se colocou de pé pronto para seguir pra sua sala e trocar de roupa quando recebeu uma mensagem de sua best pedindo para que ele novamente aceitasse o pedido da tal viagem.

Havia dado os setecentos dólares para ajudar no tal aluguel da casa e com muita insistência havia aceitado estar envolvido nessa festa e por pensar em um lado positivo de talvez esquecer toda sua vida pessoal naquela cidade. As malas estavam prontas enquanto ele finalizava seu lanche quando ouviu a buzina do carro da outra, rapidamente comia seu sanduíche e pegava suas coisas indo para a garagem de sua casa acenando para ela com a cabeça e abrindo um sorriso. Colocava suas coisas no porta malas da BMW branca e seguia para o banco do motorista colocando a cabeça para fora e estreitando os olhos para ela a ameaçando de forma brincalhona.
- Espero que essa festa faça valer a pena, senhorita Vanderwaart! - riu e engatou a ré seguindo-a estrada a fora em busca dos dias de folga que teriam junto dos demais amigos..

Coney Island era um lugar magnifico e já havia estado lá algumas em momentos de folga e felizmente não com o outro traidor, a viagem tinha sido rápida e já tinha alguns amigos dentro da casa que era realmente um sonho. Se colocava ao lado da outra dando o braço para ela caminhando junto enquanto agradecia e ao mesmo tempo resmungava por ter feito tudo aquilo para levá-lo.
- Vamos ficar no mesmo quarto e não quero mimimi! - beijou o rosto dela e ao adentrar eram recepcionados pelos outros médicos, melhor, companheiros de trabalho.
Conhecia a maioria e outros não, talvez por ser um clínico geral que sempre tinha pacientes na cadeira do outro lado de sua mesa e por quase ter de virar noites com diagnósticos importantes a serem dados. Abraçava e cumprimentava-os vendo que Chiara havia pego a chave e a seguiu para conhecer o local em que iriam se hospedar por alguns dias.

Após estarem instalados estava usando uma bata branca com uma bermuda jeans deitado na cama vendo o quanto ela estava animada se ajeitando para a festa que começaria em alguns instantes. Com os braços cruzados sorria em vê-la daquela forma e comentou:
- Parece que alguém vai se arrumar de outra forma hoje. - mexia com ela rindo e pegava seu iPhone para tirar uma foto dela.
Postava uma pose dela no Instagram colocando uma legenda digna de comentários positivos da outra e colocava o aparelho novamente de volta ao criado mudo.
- Se divirta por mim, eu hoje quero ficar por aqui mesmo... Mas amanhã saímos pra ver outros lugares. - fazia esse tipo de acordo esperando que ela não insistisse como fez para a viagem.
- Só te peço que não exagere na tequila, sei muito bem a fama que tem pra fazer shots. - piscou ateando um travesseiro nela após vê-la finalizar sua maquiagem.

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Re: [ab | new york] we're all in the same boat

Mensagem por Shkodran Mustafi em Qui Set 06, 2018 12:45 am

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Oito horas de cirurgia não eram pra qualquer um. Em uma retrospectiva a imagem de seu colega jogado e esparramado sobre um dos bancos do lado de fora da sala era a melhor expressão que podia definir a cena. Em todo o caso a cirurgia fora um sucesso, apesar do paciente precisar ficar em estado de observação constante. Agradecimentos a parte, ele preferiu fugir do drama básico. A noticia de que teria folga era como música para seus ouvidos, um louvor angelical sobre os tempos de bonança e descanso. Não foi fácil para ele chegar até ali, e continuava não sendo fácil ter se formado a algum tempo e ainda pagar sua dívida estudantil com a faculdade.

Uma ducha gelada e um café quente, combinação mortal capaz de deixa-lo ligado novamente ao mundo moderno e chutar para longe a maior parte dos sintomas da fadiga acumulada. Deixou o celular de lado, e isso o fez perder todas as sete ligações dos irmãos e todas as mensagens de outros amigos que insistiam na velha piada de como é que ele conseguiu entrar no país tendo a cara de terrorista que tinha, doses inoportunas de xenofobia nem tão letais, mas ainda assim agressivas. Por alguns minutos sentiu que esquecia de algo, e realmente havia esquecido. Olhou para a mala jogada do lado de fora do guarda-roupas, depois para as roupas separadas e em seguida para o pedaço de papel à sua frente um endereço que apontava Coney Island. Repetiu o processo mais algumas vezes até se dar conta do que havia se esquecido.

Alqarf!! – disse num salto em sua língua nata e enfiando as peças de roupa na bolsa e se aprontando com rapidez.

Não se preocupou tanto com as aparências, apesar de ter voltado ao apartamento quando já estava na esquina de sua rua porque evidentemente não poderia sair de casa contando que seu lindo smartphone de 2015 iria resistir a mais algumas horas com apenas 46% de bateria. Nunca subira todos os seis lances de escada com tanta rapidez, felizmente as partidas de futebol semanais pareciam estar lhe dando o vigor físico que precisava.

Desceu a trigésima avenida do Queens em passos largos e quando chegou na esquina com a rua Murray o dilema mental ecoou nos seus pensamentos: taxi ou metrô? Precisou avaliar as opções, se tivesse cem dólares na carteira era muito, o caixa eletrônico mais próximo ficava no Mercado Asiático Hanyang dois quarteirões de distância, mas se fosse até lá provavelmente encararia uma fila de alguns minutos já que só havia um caixa disponível, e isso o faria perder o ônibus que saía em dez minutos. Abortou a missão, metodicamente bateu a ponta do pé duas vezes sobre o asfalto, girou a bolsa de viagem para trás e correu até o Hanyang. Milagrosamente ao dobrar em direção à estação de Murray Hill encontrou a viela que dava acesso direto à estação liberada para passagem. Deve ter quebrado algum Record de velocidade porque só se lembrou de deixar a trocadora ficar com o troco e de ter dormindo até a estação da Pennsylvania em Manhattan onde teve que trocar de ônibus.

A bordo do ônibus que fazia o trecho Coney Island até Avenida Stillwell ele só conseguiu se lembrar de ouvir as três primeiras músicas da sua playlist do Helloween e de tentar com todas as forças ler o artigo sobre os índices de baixa proteína C reativa e outros sinais de inflamação na predição de doenças cardiovasculares em mulheres, mas mal conseguia sair do resumo e cá entre nós, o balançar do ônibus em todos os seus cinquenta e seis minutos de duração era o espaço perfeito para um longo cochilo. Para a sorte de todos os outros quatro passageiros, Mustafi não roncava.

O resto do caminho fez à pé, e não foi difícil encontrar a casa alugada pela equipe, afinal não era todo médico que podia se dar ao luxo de comprar carro e outros bens caros. Respirou fundo encarando o local e, ao adentrar, dando de cara com Chiara e Peter. Notavelmente esbaforido ele exibiu sua melhor cara de animação.

Certo, o que foi que eu perdi? – a mala foi direto pro show sem nenhum pudor. Precisava movimentar os ombros antes que esses parecessem que iam cair.

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Re: [ab | new york] we're all in the same boat

Mensagem por Chiara Lowe Vandewaart em Dom Set 09, 2018 8:01 pm


No there ain't nothin' wrong when a song comes on

A convivência com Derek era muito melhor do que a que mantinha com Molly, uma amiga da faculdade. Chiara acreditava que a amizade podia ter muitas faces a depender dos envolvidos e comparando – sem nenhum pesar considerável – podia separar algumas preferências, a começar pela forma sincera e astuta que o médico e companheiro nas melhores – e piores – horas se remetia aos tópicos abordados em diversos diálogos, diferente da costumeira falsidade transmitida pela estudante de medicina com quem dividiu um quarto por oito anos. Havia se decidido há muito tempo que nenhuma outra pessoa teria o mesmo significado em sua vida, amadurecendo no quesito social que não lhe era muito bem desenvolvido na época. A partir de Derek, reconheceu o verdadeiro sentido de amizade e estava certa de que não o trocaria por nada no mundo.

Quando o ajudou a se estabelecer no quarto, aproveitou para reajustar a camisa jeans – roubada do melhor amigo – e dobrou as mangas até os cotovelos, expondo o maiô vermelho sem muitos detalhes. A peça possuía aros dourados entre o busto e as tiras e só. — Hoje não pretendo sair, estou um pouco cansada e ficarei por aqui também, não sei os outros. — Se aproximou dele após a foto ser tirada, beijando-o na testa. — Agora vamos, estamos aqui por você e não por mim e minha capacidade com shots! Anime essa cara linda, é muita beleza pra ser desperdiçada com cara de choro. — A ortopedista o puxou pela mão até estarem de volta ao ambiente festivo, rente a piscina. Chiara admirou por um tempo as proporções da casa, era bonita e luxuosa, concordava com Peter e o monólogo de que mereciam pelo menos alguns dias de folga num lugar como aquele.

Mustafi chegou em seguida, esbaforido. Um pequeno sorriso se formou nos lábios da inglesa, que pendeu a cabeça para o lado esquerdo. — O Peter dizendo que vocês vão dividir o quarto, mesmo sem a necessidade disso. — Apontou com o queixo o DJ da festa, que dançava de um jeito esquisito e terrivelmente engraçado. — Deixa as suas coisas na sala, coma alguma coisa. Vem, Deck, vamos comer também. — Ainda era muito cedo, precisavam se alimentar antes de começar os trabalhos alcoólicos.  




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Re: [ab | new york] we're all in the same boat

Mensagem por Derek G. Lesher em Seg Out 15, 2018 6:11 pm


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Chiara tinha uma habilidade incrível de conseguir tirar o ar pesado da culpa de cima dos outros, já havia comentado que ela poderia ser uma ótima pscicóloga por ter essa habilidade. Grunhiu revirando os olhos ainda repreendendo a forma que ela o puxava para sair da cama, parecia uma criança sendo arrastada.
-  Okay, okay! - com um impulso final se colocava de pé e ajeitava a roupa que estava.
- Vou apenas para te vigiar, porque sei muito bem onde suas viradas acabam. - comentou dando o braço para ela que rapidamente o puxava para sair do quarto.
- Só por favor, não deixe nenhum homem estilo Deus grego se aproximar de mim, quero apenas curtir esses dias de folga sem ter que lembrar daquele filho da puta.
Respirou fundo e seguiu descendo as escadas junto da amiga que parecia bastante entusiasmada com aqueles dias fora da correria do hospital, quem não estaria? Bem, naquele caso o próprio, pois assim poderia correr risco de se entregar pra lembranças que não quer, ainda mais estando bêbado.

Ao chegar finalmente próximo da piscina observava alguns colegas de trabalho curtindo e dançando ao som do DJ, nesse momento chegava um dos outros conhecidos da senhorita Wanderwaart e este também era conhecido do moreno que no mesmo instante disfarçou e revirou os olhos comentando antes dele chegar perto.
- Aff... Seu amiguinho esquisito veio também? - comentou baixo.
Esboçou um sorriso amistoso mesmo não aprovando muito e deixa eles conversarem apenas assentindo a cabeça em um cumprimento para não passar por mal educado.
Olhou para o DJ no mesmo momento que ela comentou sobre eles serem amigos de quarto e deu uma risada colocando a mão sobre a boca e deu de ombros atendendo o pedido de Chiara.
- Também estou faminto, vamos antes que eu desista e suba de novo para o quarto.
Seguiu indo até o local da mesa de frios junto dos dois, mas mantendo uma distância razoável do outro, não o conhecia tanto quanto a outra, mas pelo jeito dele parecia ser daqueles homens metidos a gostoso e pegador de mulher, mas no fundo era apenas mais um hétero frustrado.

O local era lindo demais e a ornamentação estava impecável, pegou um prato pequeno enchendo com apenas alguns canapés e salgadinhos enquanto balançava seu corpo de forma sutil ao som da música. Colocava um pequeno quibe em sua boca experimentando sentindo que pelo menos não era um salgadinho barato feito apenas de trigo.
- O buffet pelo menos está aprovado... - comentou.
Pegou um copo de refrigerante e seguiu para uma mesinha de frente a janela que dava para a piscina guardando o lugar para os outros dois enquanto continuava a experimentar os demais salgados de seu prato.
Tudo que estava fazendo ali era por sua best da mesma forma que ela dizia fazer por ele, mas ainda tinha preferido ficar no quarto descansando deixando seu corpo e sua mente em transe. Que aquela noite pudesse fazê-lo ter uma satisfação de estar ali pelo menos.

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Re: [ab | new york] we're all in the same boat

Mensagem por Shkodran Mustafi em Qui Out 18, 2018 11:39 pm

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Conseguiu respirar melhor a partir daquela hora em que o caminho e o tempo já não eram mais os seus inimigos. No entanto ficou um pouco tenso em notar que Chiara estava de maiô, mesmo com a camisa jeans por cima. Não tinha jeito, mesmo vivendo na América a tanto tempo a educação de sua família tratava a nudez e aquele tipo de roupa com certa preocupação. Cansou de levar tabefes por olhar com curiosidade mulheres com essas roupas, quando garoto, e ter de ouvir de sua mãe que aquilo era falta de respeito. Agradeceu mentalmente por não ser um biquíni minúsculo, a única vez que fora numa praia de dia ele parecia um camarão com gagueira.

Cumprimentou Derek apesar do desdém que este parecia manter, parte da ingenuidade de Mustafi foi ativada, em primeira instância porque não conhecia Derek Lesher e em segunda instância porque a onda de insatisfação com imigrantes era enorme em todo país e ele, para piorar, ainda era imigrante oriundo do Iraque cuja mídia alimenta fortemente a imagem do terrorismo. Ele praticamente ficou preso nesse raciocínio enquanto caminhava pelo corredor indo em direção ao quarto que dividiria com Peter, não se importava de dividi-lo mesmo com outros livres, sua única pretensão era a cama de cima do beliche.

Colocou a bolsa sobre a cama e só trocou os tênis por chinelos, de resto seguia com sua roupa de turista que consistia em bermuda e camisa de manga curta estampada. Um elo perdido entre o típico turista e o rotineiro taxista.

Hey, hey. Salve Peter! Vê se manera nas bebidas. – comentou apertando a mão do mesmo e deixando a parte lateral dos punhos se tocarem em cumprimento.

Particularmente ele não ficou mais tão vislumbrado com a decoração da casa, mesmo que tudo ali fosse algo bem longe de seu poder aquisitivo. Tinha passado da fase de ser o próprio Will Smith chegando na cidade em toda sagrada abertura de Um Maluco no Pedaço, tinha ficado naquela por um bom tempo, mas pouca coisa conseguia realmente surpreendê-lo, mesmo que as vezes ficasse intrigado e um pouco impressionado em como as coisas eram diferentes de sua terra natal.

Bocejou e espreguiçou-se finalmente chegando na área externa onde um vasto buffet os aguardava acompanhado de um trilha sonora fornecida por um DJ. Manteve uma distância de segurança de Derek por motivos que, para ele, era até então óbvios. O problema é que ainda não havia muita gente naquele espaço, quando Shkodran virou-se deparou-se com Chiara. Entre a cruz e a espada ele abaixou a cabeça e focou nos mini-sanduiches de creme de ricota e presunto que estavam bem mais apetitosos que o de costume. Infelizmente seus olhos pairaram sobre um drink azulado que reluzia feito pedra preciosa. Mustafi era terrivelmente fraco com bebidas, do tipo que bebe duas cervejas e já encerra porque a terceira com certeza o deixará no brilho. Ele não fazia a menor ideia do que se tratava aquela coisa que brilhava feito a lua em tonalidade carmesim, mas o diabo em seu ombro sussurrava com bastante afinco: “Vai lá, só um golezinho. Não vai fazer mal nenhum, você aguenta.

Aquela folga prometia e infelizmente ele esqueceu de trazer qualquer medicamento, inclusive o para evitar a ressaca.

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Re: [ab | new york] we're all in the same boat

Mensagem por Chiara Lowe Vandewaart em Ter Out 23, 2018 11:26 pm


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A centralização das ideias de Chiara partiam do princípio originário da única proposta pensada para acatar aquela viagem: Animar Dereck. Era sabido que haviam milhares de outras formas para fazê-lo, o que contava com o fator alfa de ser apenas eles dois e a netflix, ou eles dois, a netflix e um monte de comida gordurosa para afogar as lágrimas. Para sair da rotina, a médica decidiu pela dupla que estariam ingressando numa aventura por alguns dias, longe de todo o mal transformado em gordura trans e o afogamento das lamúrias deixados rentes aos travesseiros. Era a hora de reagir. — Deck, você sabe que eu te amo e é por isso que eu digo que já está na hora de você deixar de pensar no coiso e passar a aproveitar as coisas sem achar que algum deus grego vai sair do Olimpo e te arrebatar de novo. — A loira pegou um sanduíche de tomate seco com a mão esquerda, usando uma faca descartável para melar um pouco de requeijão light e lambuzar o pão onde pretendia morder. Beijou a bochecha do melhor amigo carrancudo e trocou de lado com ele, que seguiu para uma mesa para três.

A sós com Mustafi, notou o pairar dos olhos dele sobre o que parecia ser um drink de tonalidade azulada que ninguém parecia ter noção de como era composto. A curiosidade do paladar lhe acendeu a vontade de dar um gole, mas como responsável e completamente segura de que poderia aguentar trancos e barrancos se estivesse de barriga cheia, refletiu sua posição no outro médico. — Nada de beber agora, primeiro você vai comer. Faça seu prato e vamos ali pra mesa onde o Derek sentou, tem lugar pra três. — Deu um tapinha suave no lado esquerdo do ombro dele, esboçando um sorrisinho fino, sem os dentes a amostra. Geralmente não bancava a chata ou a que surtia em regras para evitar o rápido efeito, mas ainda era cedo demais para algum show. Inclusive, precisava pensar num modo de defasar a tensão de Derek antes que ele resolvesse assassinar alguém. Ou Mustafi.

No próprio pratinho carregava dois mini-sanduíches de tomate seco, uma porção de requeijão light e um copo de água de gengibre e hibisco, um segredo furtivo para ter uma melhor durabilidade na queda do fígado. Ocupou o lugar do meio, recostando-se nas costas da cadeira, prendendo o cabelo num coque desajeitado apenas para não ter que perder algum tempo driblando os fios da frente da boca ou acabar engolindo um. — Sou só eu ou o clima está bem mais quente por aqui? Não vou demorar pra cair na piscina. — Tentou puxar um assunto, fitando brevemente as feições de Deck para fazê-lo prosseguir com o diálogo. Ainda tentava entender a implicância que ele tinha com o outro médico.
 




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Re: [ab | new york] we're all in the same boat

Mensagem por Derek G. Lesher em Qua Out 24, 2018 10:18 pm


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◣◥ ◤◢ ◣◥ ◤◢
Enquanto comia calmamente seus canapés e salgadinhos ficava pensando nas palavras que Chiara havia dito a ele, fazia muito sentindo ele ter que se ocupar com outras coisas ao invés de ficar em um canto chorando por alguém que se quer merecia suas lágrimas, mas tudo fora tão rápido que havia parecido sentir uma faca perfurar seu coração brutalmente... Sacudiu a cabeça e voltou ao local onde estava sentado observando os demais colegas de trabalho se divertindo enquanto ele tentava buscar em algo uma faísca se quer para tentar se animar e foi quando observou o DJ da festa ser arrastado por outro homem e ser jogado na piscina ouvindo as gargalhadas de ambos. Sorriu e deu de ombros vendo que poderia sim ter uma noite legal com sua amiga, isso não incluía o outro.

Mustafi era um cara que parecia ser totalmente fechado, mas estranhamente sentia que sua aproximação com Chiara parecia ter outras intenções, ele era homem e quando a testosterona exalava o alarme vermelho de sua cabeça o alertava. Não sabia ao certo o motivo de tamanha implicância com o outro, mas era como se o santo não batesse e quando isso acontecia só em um terreiro bem forte para mudar sua cabeça sobre quaisquer pensamento negativo que tinha sobre o outro. Quando deu por si estava o olhando como se sua cabeça estivesse distante, admirando, sacudiu novamente ela e bebericou de seu copo pigarrerando buscando desviar seus olhos do rapaz.
- Pelo amor de Deus, Derek... - se auto repreendeu revirando os olhos.
Foi nesse momento que ambos chegavam e se acomodavam na mesa com o início de um assunto interessante vindo de sua amiga, olhou novamente para a piscina vendo que havia algumas pessoas dentro e fez uma expressão de dúvida.

- Talvez, realmente está ficando bem quente e quem sabe não dou o ar da minha graça com você na água?
- se virou para ela sorrindo de forma infantil.
Pegava seu último canapé e levava a boca olhando ao redor quando reparou em um rapaz alto, moreno, com um sorriso misterioso conversando com duas meninas ao canto da sala de braços cruzados, seus olhos apenas congelaram na cena e sua boca travou. Que raios estava acontecendo ali?
Tentando desviar da atenção do homem piscou algumas vezes olhando para o outro e tentou arriscar tirar um assunto para não deixar o clima apenas para duas pessoas, ele tinha educação.
- Ér... E você, é como gato? Tem medo de água? - perguntou olhando para ele, mas sentindo seus olhos desviarem algumas vezes para o rapaz no outro lado.
Naquele momento queria ter atração pelo outro a sua frente do que pelo que estava nos fundos, só assim não demonstraria tanta vontade de sair da cadeira e passar por ali perto para saber se seu gaydar apitaria.

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Re: [ab | new york] we're all in the same boat

Mensagem por Shkodran Mustafi em Qua Out 24, 2018 11:30 pm

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Os dedos quase tocaram a taça de bebida quando a aproximação feminina voltou a ser presente. Salvo pelo gongo? Ele não saberia responder. Ele a encarou surpreso com as palavras, o toque e o sorriso. Em algum lugar de sua mente perpetuava-se o murmurinho de um colega enfermeiro sobre a jovem médica mandona e mal-humorada, boatos que na realidade não pareciam serem tão reais assim, e tirava como prova a situação de agora. Talvez fosse somente a responsabilidade de vestir o jaleco e segurar o bisturi, ele próprio mudava quando estava em serviço. Voltou-se para a mesa novamente, entre alguns salgados no prato e muitos kebabs – por motivos óbvios – afastou-se de lá com um bolinho entre os dentes, o prato em uma das mãos e uma garrafa de água na outra. Pensou um pouco entre ir e não ir para a mesa de Chiara e Derek, mas no fim, não parecia má ideia.

Chegou na mesa com um sorriso no rosto, apesar deste estar por trás do pedaço de doce entre seu dentes. Mustafi não estava focado em outra coisa se não a comida, isso apenas aumentou quando provou a primeira mordida no kebab. A massa leve crocrante emitia o som do tradicional “crack” assim na primeira mordida liberando o sulco da carne combinado com os temperos fortes e tradicionais de sua terra natal em contato com os vegetais levemente assados. Fazia tempo que não comia um kebab tão saboroso quanto o de sua mãe, inclusive o do restaurante turco a algumas quadras de sua rua, mas logo foi tragado de volta para a realidade, esta um tanto quanto estranha.

Sem dúvidas, deveria parecer um pouco incômodo estar numa mesa com duas pessoas e não dizer uma palavra. A sugestão da piscina chegou em boa hora apesar de ainda ter alguns kebabs em seu pratinho. Ergueu os olhos em direção à piscina e notou também Derek com um olhar distante. Silenciosamente tentou encontrar o destino do olhar do outro, mas não encontrou um alvo exato. Na realidade parou sobre um homem e duas mulheres em outro cômodo e mesmo se gabando por ser um bom observador o iraquiano não entendeu foi nada. Quando deu por si ele estava encarando Derek, e Derek parecia fazer o mesmo. Os dois se encaravam e aquilo não parecia certo em nenhum contexto que pudesse imaginar. Entalou-se com uma mordida e entre tosses e socos na base do pescoço encontrou uma resposta.

To bem longe de ser um gato, viu. – comentou enquanto apoiava uma das mãos na mesa e voltava a calmar a respiração entre uma risada e outra. – Talvez um guaxinim muito perspicaz.

Encarou a piscina algumas vezes. Aquilo era uma casa enorme, com um quintal enorme, uma piscina ainda mais enorme e muito provavelmente deveria haver uma sala com um barril de chopp, sinuca e até jogo de dardos em algum canto. Não havia o menor sentido em permanecer com tanta cautela. Estavam ali para descansar, aproveitar e principalmente extravasar a tensão rotineira, não era?  Então ele o faria, na melhor forma que sabia, com altas doses de competitividade. Alternou o olhar entre a dupla e, já reestabelecido começou a desabotoar a camisa.

Estamos numa casa que mais parece uma mansão, tem uma piscina que, pode não ser olímpica, mas é maior que qualquer uma que eu já tenha visto pessoalmente. Não falta comida, bebida e nem socorro médico. – disse o último em tom de brincadeira, a camisa já estava despida e devidamente pendurada ao redor de seu pescoço. – Para a nossa sorte a piscina ainda está vazia. Que tal uma competição para animarmos as coisas então? Ida e volta à nado, o vencedor escolhe a punição dos perdedores, e que fique livre pra usar a imaginação em relação a isso. O que me dizem?

Shkodran Mustafi era uma boa pessoa, um ótimo rapaz, de boa índole e educação, mas seus olhos brilhavam num fogo olímpico quando desafiava ou era desafiado, quando praticava algum tipo de esporte ou se envolvi em algum jogo. Era uma sensação de adrenalina surreal que o fazia exibir um sorriso largo no rosto envolvido numa aura confiante e contagiante que, em momentos anteriores não parecia nada com a essência dele.

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Re: [ab | new york] we're all in the same boat

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